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12 de maio de 2018

Reflexões sobre processos: treinamento com bastões (por Ana Cecilia Reis)

Me lembro dos primeiros dias de treinamento de bastão para o espetáculo "Terrabatida". Talvez o som mais opressor e desanimador era o do bastão de madeira ressoando ao cair no chão da sala. Cada queda era como um golpe nos nervos, e por vezes, depois de várias tentativas, parecia que o barulho era cada vez mais alto. Não adiantava xingar, ou tentar fazer de forma brusca e rápida, minha autopercepção mostrava que se eu não tivesse respiração e concentração, ele sempre cairia. Estabelecia pequenas metas cotidianas, fazer 5 vezes sem cair, depois 10, 20, 50, 100. Depois dificultar o nível. E de novo o mesmo som. O som da queda ecoando o meu fracasso. Mas, ao contrário do que dizem, desistir sempre foi uma opção, só que o amor pelo que se precisa conquistar me fazia jogar mais uma vez e mais uma vez e mais. Cheguei a preferir que o bastão caísse em mim, gerando hematomas roxos do que ouvir aquele som estridente do chão, talvez porque ele ecoase não apenas dentro de mim, mas também por toda sala e fora dela, e no piso abaixo que era o teto acima de alguém. O autocontrole e a certeza de um objetivo me davam forças para prosseguir. Quantas vezes por ironia, ou seja lá como for, de minha meta de dez acertos, sempre acertava até o nove e então, o conhecido e estridente barulho da queda. Por vezes parece que algo ou alguém quer testar nossa vontade, fazendo você errar justamente tão perto do fim. Mas comecei a perceber que a contagem não deveria ser nove acertos e um erro. É sempre um acerto, depois outro. Cada jogada é um recomeço. 

Se hoje me recordo disso é porque no momento atual, no início de um novo treinamento solo, com novos desafios, sinto-me por vezes chegar ao nove, ter capacidade para chegar ao nove, mas ainda lutar muito para que o dez aconteça, e assim floresça uma nova fase. Há tanto para se aprender e crescer. 

 Corpo-carcaça-carne-couraça. 

Uma jogada. Depois mais uma. E outra. Não precisa ser contado compulsivamente. Apenas respire. Encare um degrau, depois outro. Aceite que você nunca sabe para onde essa escada te leva. E, se fosse fácil, não seria tão bonito".



25 de abril de 2018

Estudos

"Sem impulso a ação tende a permanecer no nível do gesto. (...) Grotowski também acreditava que treinar os impulsos, mais do que as ações físicas, permite que tudo que o ator faça se torne mais enraizado no corpo. Como treinar os impulsos? Depois de ter uma partitura precisa da ação – quando você sabe o que está fazendo – você pode começar a buscar no seu corpo o ponto de início da ação".

James Slowiak
Foto: Rayuela por Dona Mariana Fotografia

13 de abril de 2018

Semana de estreia em Portugal!

Essa semana foi de estreia em Portugal!
A atriz Ana Cecilia Reis conversou na quarta-feira (11 de abril) com os alunos da Universidade de Évora sobre sua trajetória no Brasil e ontem (12) apresentou o monólogo "A Arte de Enterrar seus Mortos" no Teatro Garcia De Resende, Évora, realizando um bate-papo no final com o público.
Agradecemos:
Ao prof. José Alberto Ferreira e às alunas Juliana Fonseca e Hayline Da Rosa Vitória pelo convite de fazer parte do ciclo de Encontros e pela organização, aos alunos e alunas pela grande troca atenta que realizamos, tanto na conversa na Universidade quando ao bate-papo após o espetáculo.
Ao Cendrev - Centro Dramático de Évora pelo profissionalismo e por ceder-nos a data mesmo em meio às turbulências enfrentadas nos últimos anos para se manterem ativos. Agradecimentos especiais à Ana Duarte, pelo gentil acolhimento, desde o primeiro contato.
Aos técnicos do teatro, em especial ao Sr. Antonio pela operação de luz.
Ao João Correia, pelo companheirismo e colaboração.
À Câmara Municipal de Évora, pelo apoio para esta realização.
Ao público presente, pela energia compartilhada!






5 de abril de 2018

Teatro Hoje - À Conversa com Ana Cecilia Reis


No dia 11 de abril, quarta-feira, a diretora e atriz Ana Cecilia Reis conversará com os alunos da Escola de Artes de Évora, sobre sua trajetória no Brasil, dialogando sobre o trabalho nas artes, no âmbito do Ensino, Criação e Produção.
O evento, aberto a todos os interessados, decorre às 16.30h na Biblioteca Jorge Araújo, no Pólo dos Leões da Escola de Artes da Universidade de Évora, numa iniciativa no âmbito da disciplina Trajectórias Socioprofissionais do Actor, da licenciatura em Teatro do Departamento de Artes Cénicas da Universidade de Évora.





29 de março de 2018

Inspirações...

"Método de investigação: a partir do momento em que pensamos em qualquer coisa, procurar em que sentido o seu contrário é verdadeiro".
Simone Weil
Espetáculo Rayuela. Por Carolina Rainha. 


22 de março de 2018

Recompensas do Benfeitoria saindo do forno!

Chegaram nossas recompensas oficiais da campanha de Dois Perdidos numa Noite Suja no Benfeitoria
Olha que lindeza a caneca e imãs personalizados pela Kekanecas!

Mais uma vez agradecemos a tod@s que tornaram nossa temporada possível! Vocês são inesquecíveis!



17 de março de 2018

Inspirações...


"Porque nos preocuparmos com a arte? Para atravessar nossas fronteiras, ultrapassar nossas limitações, preencher nosso vazio, nos realizarmos. Esta não é uma condição, mas um processo em que o que é sombrio em nós mesmos lentamente se torna transparente. Nessa luta com a verdade de cada um, nesse esforço de arrancar a máscara vital, o teatro, com sua percepção totalmente carnal, sempre me pareceu um lugar de provocação. É capaz de desafiar a si mesmo e a plateia ao violar estereótipos amplamente aceitos de visão, sentimento e julgamento – de forma mais impressionante porque está retratado pela respiração do organismo humano, pelo corpo e pelos impulsos interiores. A provocação do tabu, da transgressão, provoca um impacto que rasga a máscara e nos leva a nos doarmos inteiramente a algo que é impossível de se definir, mas que contém Eros e Caritas".

Grotowski




Imagem: Francis Bacon, Estudos sobre o corpo humano, 1949.